Tratamento não invasivo que fragmenta pedras renais ou ureterais com ondas de choque emitidas externamente, sem incisões nem anestesia geral em muitos casos.

Sobre o procedimento
A LECO (Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque) é um tratamento para pedras nos rins e no ureter que funciona de fora para dentro do corpo. Um aparelho chamado litotritor, posicionado externamente, emite ondas de choque — pulsos de energia parecidos com ondas de som — que atravessam a pele sem cortá-la e se concentram exatamente sobre a pedra, quebrando-a aos poucos em fragmentos pequenos. A lógica lembra uma lupa que concentra a luz do sol num único ponto: as ondas passam pelos tecidos sem machucá-los e só "batem" com força no alvo, que é o cálculo. Nada é cortado e nenhum instrumento entra no corpo — por isso a LECO é chamada de tratamento não invasivo. É uma das opções mais consagradas para pedras pequenas a médias (até cerca de 2 cm), principalmente as localizadas no rim e na parte alta do ureter (o canal que leva a urina do rim até a bexiga). Depois da sessão, os fragmentos ficam pequenos o suficiente para sair naturalmente com a urina nos dias seguintes. E tudo é feito em regime ambulatorial: o paciente trata a pedra e volta para casa no mesmo dia.
Quando é indicado
Como é realizado
Não há corte nem aparelho entrando pelo canal da urina — o procedimento todo acontece com o paciente deitado sobre a mesa do litotritor. Primeiro, a equipe localiza a pedra com um exame de imagem (raio-X em tempo real ou ultrassonografia) e ajusta a posição do paciente até que o cálculo fique exatamente no foco do aparelho — o ponto onde as ondas se concentram. Em seguida, o litotritor dispara as ondas de choque em série. Elas atravessam a pele e os tecidos e vão fragmentando a pedra progressivamente, disparo após disparo. A sensação costuma ser descrita como pancadas rítmicas, e o procedimento é geralmente bem tolerado com sedação — leve na maioria dos casos; em alguns pacientes, opta-se por uma sedação mais profunda ou anestesia, conforme a avaliação. Em geral, sem internação. A pedra não é retirada na hora: ela é quebrada em pedaços pequenos, que o próprio corpo elimina pela urina ao longo dos dias seguintes.
Vantagens
Recuperação
Em geral, o paciente recebe alta no mesmo dia e pode retomar a rotina rapidamente. O principal "trabalho" da recuperação é ajudar o corpo a expulsar os fragmentos: por isso, recomenda-se beber bastante líquido nos dias seguintes. É a água que empurra os pedacinhos de pedra rim abaixo até saírem na urina. Nesse período, pode haver dor em cólica — aquela dor em ondas, parecida com a da crise de pedra — à medida que os fragmentos descem pelo ureter. Isso é esperado e se controla com analgésicos. Dependendo do tamanho e da resistência da pedra, uma única sessão pode não bastar: cálculos maiores ou mais duros às vezes exigem duas ou mais sessões, espaçadas entre si.
Riscos e cuidados
A LECO é um procedimento seguro, mas, como todo tratamento, tem efeitos possíveis que vale conhecer: - Sangue na urina (hematúria leve): comum nos primeiros dias, porque as ondas de choque irritam o tecido ao redor da pedra. Costuma passar sozinho. - Hematoma renal: um acúmulo de sangue ao redor do rim, como um "roxo" interno. É raro. - Cólica na eliminação dos fragmentos: os pedacinhos de pedra, ao descer pelo ureter, podem provocar dor em cólica — desconfortável, mas tratável com analgésicos. - "Rua de cálculos" (steinstrasse): às vezes os fragmentos descem em fila e entopem o ureter de uma vez só. Pode causar dor intensa e até febre, exigindo a colocação de um cateter duplo J ou uma ureteroscopia de urgência para desobstruir. É uma complicação característica da LECO, e o acompanhamento após a sessão existe para flagrá-la cedo. - Fragmentação incompleta: se a pedra não quebrar o suficiente, pode ser necessário um procedimento complementar, como a ureteroscopia (tratamento por dentro do canal da urina) ou a PCNL (cirurgia percutânea, por punção nas costas). Há também situações em que a LECO não deve ser feita: gravidez, infecção urinária ativa ainda não tratada, distúrbios de coagulação não controlados (ou uso de anticoagulantes que não possam ser suspensos), aneurismas da aorta ou da artéria renal próximos ao alvo e obstrução do caminho urinário abaixo da pedra — que impediria os fragmentos de sair. Tudo isso é checado antes de indicar o tratamento. Também é importante saber que a LECO não é a melhor opção para toda pedra: ela funciona menos bem em cálculos muito duros, muito grandes ou em certas localizações — como o polo inferior do rim quando o ângulo de saída é desfavorável, dificultando que os fragmentos desçam. Nesses casos, outra técnica pode ser mais indicada desde o início.
Tratamos com este procedimento
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