O que há de mais avançado em urologia minimamente invasiva: braços robóticos, visão tridimensional ampliada e movimentos milimetricamente controlados para cirurgias de alta complexidade.

Sobre o procedimento
O nome engana: na cirurgia robótica, quem opera é o cirurgião, do começo ao fim. O sistema Da Vinci é uma ferramenta — sofisticada, mas uma ferramenta. O médico senta-se em um console a poucos metros do paciente e, dali, comanda braços robóticos equipados com instrumentos em miniatura e uma câmera 3D de alta definição. O robô não decide nada sozinho: apenas reproduz os movimentos das mãos do cirurgião, com dois refinamentos que a mão humana não tem — filtra qualquer tremor e transforma movimentos amplos em movimentos milimétricos dos instrumentos. É como escrever com uma caneta que deixa o traço mais firme e preciso do que o próprio pulso conseguiria. Por que isso importa? Várias estruturas urológicas ficam em regiões profundas e apertadas do corpo — a próstata no fundo da pelve, os vasos na “raiz” do rim — cercadas de nervos e vasos delicados. A visão tridimensional ampliada e os instrumentos que se dobram como pequenos punhos permitem separar tecidos, costurar e reconstruir nesses espaços com uma precisão impossível à mão humana operando sozinha. Em urologia, a plataforma Da Vinci consolidou-se como padrão-ouro para a prostatectomia radical (retirada da próstata por câncer), a nefrectomia parcial (retirada do tumor preservando o rim), a pieloplastia (correção da obstrução entre o rim e o ureter), a cistectomia (retirada da bexiga) e diversas cirurgias reconstrutivas do trato urinário. O Dr. Frederico Mascarenhas é certificado em Cirurgia Robótica Da Vinci desde 2015 pela Intuitive Surgical e coordena o Serviço de Cirurgia Robótica do Hospital Aliança, em Salvador.
Quando é indicado
Como é realizado
Tudo acontece sob anestesia geral — o paciente dorme e não sente nem acompanha nada. Em vez de um corte grande, o cirurgião faz pequenas incisões no abdome, por onde entram os portais: tubos finos que funcionam como “portas de entrada” para os instrumentos. A eles são acoplados os quatro braços do robô — um segura a câmera, os demais seguram os microinstrumentos. O cirurgião então se posiciona no console, a poucos metros da mesa cirúrgica. Ali, enxerga o interior do corpo em 3D, com imagem ampliada e em alta definição, e comanda cada instrumento. Os microinstrumentos são articulados, com sete graus de liberdade de movimento — na prática, dobram e giram como um punho em miniatura, alcançando ângulos que a mão não faria através de uma incisão pequena. Cada gesto do cirurgião é reproduzido com escala de precisão e filtragem de tremor. Toda a cirurgia — separar os tecidos (dissecção), controlar sangramentos (hemostasia), costurar e reconstruir — é feita por essa instrumentação. O resultado é uma operação que combina radicalidade oncológica (retirar tudo o que precisa ser retirado, no caso do câncer) com preservação funcional refinada dos nervos e vasos importantes.
Vantagens
Recuperação
A recuperação costuma ser mais leve do que a maioria imagina para cirurgias desse porte — é uma das grandes vantagens da técnica. A alta hospitalar geralmente acontece entre 24 e 48 horas. O retorno às atividades habituais — trabalho, tarefas do dia a dia — se dá em até 2 semanas, dependendo da cirurgia realizada. Atividade física vigorosa (academia puxada, esportes de impacto) é liberada entre 4 e 6 semanas. O acompanhamento após a alta é programado conforme o procedimento específico. Por exemplo: quem operou a próstata retorna para retirar o cateter vesical (a sonda de urina); quem fez pieloplastia retorna para retirar o cateter duplo J (um tubinho interno temporário que liga o rim à bexiga).
Riscos e cuidados
Como toda cirurgia, a robótica tem riscos — e é honesto falar deles. Os principais são os mesmos de qualquer operação: sangramento, infecção, lesão de estruturas vizinhas ao órgão operado e complicações relacionadas à anestesia. A boa notícia: nas complicações do período da cirurgia e da recuperação — sangramento, transfusão, dor, tempo de internação —, a robótica tipicamente leva vantagem sobre a cirurgia aberta convencional. Já nos resultados de longo prazo contra o câncer, as duas técnicas bem executadas se equivalem: a diferença da robótica está em como se chega lá, com menos agressão ao corpo. Em raríssimos casos, pode ser necessário converter para cirurgia aberta — ou seja, completar a operação pelo método tradicional, com uma incisão maior. Isso não é um fracasso da técnica, e sim uma medida de segurança quando o cenário encontrado durante a cirurgia exige. Existem ainda riscos funcionais específicos de cada procedimento — como a continência urinária e a função erétil na prostatectomia, ou a função renal na nefrectomia parcial. Esses pontos são discutidos individualmente em consulta, porque dependem das características de cada caso.
Vídeos sobre o procedimento
Tratamos com este procedimento
Câncer de Próstata
Tumor maligno mais comum no homem, geralmente silencioso no início
Ver detalhesCâncer de Rim
Tumor renal frequentemente descoberto em exames de rotina
Ver detalhesCâncer de Bexiga
Neoplasia urotelial com forte associação ao tabagismo
Ver detalhesHidronefrose
Dilatação renal por obstrução do fluxo urinário
Ver detalhesEstenose da Junção Uretero-Piélica (JUP)
Obstrução congênita ou adquirida na saída do rim para o ureter
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