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Saúde Urológica

Hipospádia

Malformação congênita com meato uretral em posição anormal

Malformação congênita do pênis em que o meato uretral se localiza em uma posição anormal, abaixo da ponta da glande. Pode vir acompanhada de curvatura peniana.

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Ilustração anatômica — Hipospádia
Meato uretral ectópico (face ventral)
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

Durante a formação do bebê, a uretra — o canal que conduz a urina para fora do corpo — se fecha como um zíper ao longo da face de baixo do pênis, terminando com a abertura (o meato uretral) na ponta da glande. Na hipospádia, esse "zíper" para de fechar antes da hora: a abertura por onde sai a urina fica fora do lugar, em algum ponto abaixo da ponta — logo abaixo da glande, no meio da haste do pênis, na bolsa escrotal ou até no períneo (a região entre a bolsa e o ânus). É uma malformação congênita, ou seja, presente desde o nascimento — não foi causada por nada que os pais fizeram ou deixaram de fazer. Ela pode vir acompanhada de curvatura do pênis (que os médicos chamam de chordee) e de um prepúcio incompleto, que cobre apenas a parte de cima da glande. Classificação, conforme a posição da abertura: - Distal: na glande ou na porção final da haste — é a forma mais comum e, em geral, a mais simples de corrigir. - Média: na porção média da haste peniana. - Proximal: na base do pênis, na bolsa escrotal ou no períneo — são as formas mais complexas. Por que tratar importa? Sem correção, o jato de urina sai desviado ou bifurcado, o que pode dificultar urinar em pé; nas formas mais severas, pode haver prejuízo à função sexual no futuro; e existe o impacto estético e psicológico para a criança. Quando a correção é feita por equipe especializada em urologia pediátrica, a grande maioria dos casos alcança excelente resultado funcional e estético.

Sintomas

Jato urinário defletido ou bifurcado
Dificuldade de urinar em pé
Alterações na função sexual (em casos mais severos)
Curvatura peniana (chordee)
Questões estéticas e psicológicas

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e costuma acontecer logo ao nascimento, no exame do recém-nascido — em geral não depende de exames de imagem. O médico observa onde está a abertura da uretra, se existe curvatura do pênis e qual a extensão da anomalia. São esses detalhes que classificam a hipospádia e orientam o planejamento da cirurgia. Na mesma avaliação, o especialista investiga se há outras alterações associadas, como criptorquidia (testículo que não desceu para a bolsa) e hérnias, que às vezes acompanham a hipospádia.

Tratamento

O tratamento da hipospádia é cirúrgico: a uretroplastia, a reconstrução do canal da urina. Não há pomada ou medicamento capaz de corrigir a posição da abertura. Como funciona: - A idade ideal para operar é entre 6 e 12 meses de vida (podendo ir até os 18 meses), janela em que a cicatrização é favorável e o impacto psicológico para a criança é menor. - Se houver curvatura do pênis, ela é corrigida no mesmo procedimento. - O canal uretral é reconstruído até a ponta da glande, para que a urina volte a sair no lugar certo. - Existem diversas técnicas cirúrgicas (Snodgrass, Duckett, Onlay, entre outras), escolhidas conforme o tipo e a complexidade de cada caso. Casos complexos — em geral as formas proximais, com curvatura acentuada ou pouco tecido disponível — podem exigir a correção em etapas, com mais de uma cirurgia, e às vezes o uso de enxertos (como a mucosa da boca) para reconstruir o canal. O que esperar depois: na maioria dos casos distais, uma única cirurgia resolve, com excelente resultado funcional e estético. O acompanhamento pós-operatório é essencial: as complicações possíveis — fístulas (pequenos escapes de urina por um orifício que se forma na pele), estreitamentos do canal ou abertura de pontos — são identificadas e tratadas nesse seguimento. Daí a importância de operar com equipe experiente em urologia pediátrica e manter as consultas de revisão.

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FAQ

Perguntas frequentes

A correção é idealmente realizada entre os 6 e 18 meses de vida, período em que a anestesia é segura, o desenvolvimento do pênis ainda é compatível com a técnica e o impacto psicológico para a criança é menor.
Na maioria dos casos distais, uma única cirurgia resolve. Em hipospádias mais proximais ou complexas, pode ser necessário operar em etapas, especialmente quando há curvatura peniana acentuada ou pouco tecido disponível.
Na maioria dos casos, não. A hipospádia em si não compromete a produção espermática. Pode haver dificuldade ejaculatória em formas proximais não corrigidas, mas o tratamento cirúrgico precoce restaura função sexual e reprodutiva adequadas.
As mais comuns são fístulas uretrocutâneas (escape de urina), estenoses do meato e dehiscências. Por isso é essencial que a cirurgia seja feita por urologista pediátrico experiente, com acompanhamento pós-operatório rigoroso.
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