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Saúde Urológica

Doença de Peyronie

Curvatura peniana adquirida por placas de fibrose

Formação de placas fibrosas na túnica albugínea do pênis, causando curvatura anormal, dor na ereção e, em alguns casos, disfunção erétil. Tem tratamento clínico e cirúrgico.

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Ilustração anatômica — Doença de Peyronie
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

A doença de Peyronie é, em essência, uma cicatriz interna no pênis. Para entender: os corpos cavernosos — os 'cilindros' que se enchem de sangue e dão rigidez à ereção — são revestidos por uma capa elástica chamada túnica albugínea. Na doença de Peyronie, formam-se nessa capa placas de fibrose, um tecido cicatricial duro que não estica. Na ereção, o lado saudável expande e o lado com a placa não acompanha — o pênis entorta na direção da cicatriz, como um balão com um pedaço de fita adesiva colado. O resultado pode ser curvatura, retração (encurtamento) ou a chamada deformidade em ampulheta, quando o pênis afina no meio. Acomete principalmente homens entre 45 e 65 anos e costuma evoluir em duas fases: - Fase aguda (inflamatória): há dor na ereção e a curvatura ainda está mudando. Costuma durar de 6 a 18 meses, e considera-se a doença estável após pelo menos 3 meses sem progressão. - Fase estável: a dor desaparece e a curvatura para de progredir — ela se mantém, mas não piora mais. A teoria mais aceita para a causa envolve microtraumas repetidos durante a relação sexual em homens com predisposição a cicatrizar de forma anormal. Diabetes, tabagismo e a contratura de Dupuytren (uma retração dos dedos da mão) estão associados à doença. Por que tratar importa? A curvatura estabelecida não costuma regredir sozinha. Nos casos acentuados, ela dificulta ou impede a penetração — e o impacto emocional costuma ser tão grande quanto o físico. A mensagem central é que a doença tem tratamento, e a abordagem é individualizada conforme a fase e a gravidade.

Sintomas

Curvatura peniana nova ou progressiva durante a ereção
Nódulo ou placa endurecida palpável no corpo do pênis
Dor durante a ereção (fase inflamatória)
Encurtamento ou deformidade peniana (aspecto em ampulheta)
Dificuldade de penetração ou disfunção erétil associada

Diagnóstico

O diagnóstico é feito na consulta, sem exames invasivos de rotina. O urologista ouve a história — quando a curvatura começou, se dói, se está piorando, como está a rigidez — e examina o pênis, palpando o corpo do órgão em busca da placa: um nódulo ou uma faixa endurecida sob a pele. Como a curvatura só aparece na ereção, ela precisa ser documentada de alguma forma. Há dois caminhos: fotografias feitas em casa pelo próprio paciente durante a ereção — solução simples e suficiente em muitos casos — ou o teste de ereção induzida no consultório, que permite ao médico avaliar o ângulo com precisão. A ultrassonografia peniana com Doppler complementa a avaliação: mostra a placa, identifica calcificações (áreas endurecidas com depósito de cálcio) e avalia a qualidade do fluxo de sangue no pênis — informação importante quando existe disfunção erétil associada e no planejamento de uma eventual cirurgia.

Tratamento

Nem todo caso precisa de cirurgia. Casos leves, com curvatura que não atrapalha a relação sexual, podem apenas ser acompanhados. E a fase da doença define o que faz sentido fazer. Na fase aguda (doença ainda ativa, com dor ou curvatura em mudança): - O foco é aliviar a dor (analgesia) e acompanhar a evolução — operar nessa fase aumenta o risco de a curvatura voltar. - Medicações por via oral têm benefício limitado. - A tração peniana, com dispositivos específicos, pode reduzir a perda de comprimento. - Injeções aplicadas diretamente na placa podem ser consideradas em casos selecionados, com o objetivo de agir sobre o tecido cicatricial. A colagenase, uma delas, atualmente não está disponível no Brasil; o verapamil, outra opção, tem evidência limitada de eficácia. Na fase estável (após a doença parar de progredir), o tratamento definitivo é cirúrgico quando a curvatura impede ou dificulta a relação sexual. As opções: - Plicatura peniana (técnica de Nesbit e variações): 'franze' o lado oposto à placa para retificar o pênis. Indicada para curvaturas moderadas com boa rigidez. Pode causar um encurtamento, em torno de 1 a 2 cm (podendo ser maior nas curvaturas mais acentuadas) — algo discutido abertamente no planejamento. - Incisão ou retirada da placa com enxerto: o cirurgião corta ou remove a cicatriz e cobre a área com um enxerto de tecido. Preserva melhor o comprimento e é a escolha para curvaturas acentuadas ou deformidades complexas. - Implante de prótese peniana: quando existe disfunção erétil que não responde ao tratamento, a prótese corrige a curvatura e restaura a rigidez no mesmo procedimento. O que esperar: nos casos bem indicados, o tratamento corrige a deformidade e devolve a função sexual na grande maioria dos pacientes. A escolha da técnica é individualizada — grau de curvatura, qualidade da rigidez, comprimento peniano e expectativas do paciente entram na conta.

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FAQ

Perguntas frequentes

A curvatura estabelecida não regride espontaneamente na maioria dos casos, mas os tratamentos atuais corrigem a deformidade e devolvem a função sexual na grande maioria dos pacientes. Casos leves, sem impacto na relação, podem apenas ser acompanhados.
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