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Saúde Urológica

Infertilidade Masculina

Investigação e tratamento da contribuição masculina à infertilidade do casal

Aproximadamente 40% dos casos de infertilidade têm origem exclusivamente masculina, e até 25% envolvem fatores combinados. A investigação do homem é parte essencial da avaliação do casal.

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Ilustração anatômica — Infertilidade Masculina
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

Infertilidade não é sinônimo de esterilidade definitiva — é, antes de tudo, uma dificuldade que pode ser investigada e tratada. O casal é considerado infértil quando não consegue engravidar após 12 meses de relações sexuais regulares, sem uso de contraceptivos. E, ao contrário do que muita gente supõe, o fator masculino pesa muito: cerca de 40% dos casos têm origem exclusivamente no homem, e até 25% envolvem fatores combinados dos dois parceiros. Na prática, isso significa que investigar apenas a mulher deixa quase metade das respostas de fora. As causas mais comuns no homem: - Varicocele — dilatação das veias que drenam o testículo, como "varizes" na bolsa escrotal; é a causa identificável e corrigível mais comum (boa parte dos demais casos permanece sem causa definida, dita idiopática) - Obstruções no trato reprodutivo — o espermatozoide é produzido, mas o caminho de saída está bloqueado - Alterações hormonais (hipogonadismo — queda dos hormônios que comandam a produção de espermatozoides) - Fatores genéticos (como microdeleções no cromossomo Y) - Infecções, como a orquiepididimite (inflamação do testículo e do epidídimo) - Uso de anabolizantes ou drogas ilícitas - Exposição a calor excessivo ou a toxinas ambientais - Histórico de cirurgia testicular, torção testicular ou criptorquidia (testículo que não desceu na infância) Por que investigar importa? Porque boa parte dessas causas tem tratamento — e identificar o problema abre caminhos que vão da gravidez espontânea às técnicas de reprodução assistida. A regra de ouro é a avaliação conjunta do casal, de forma integrada e com suporte multidisciplinar: os dois parceiros investigados ao mesmo tempo, não um depois do outro.

Sintomas

Dificuldade do casal em conceber após 12 meses de tentativas
Alterações no volume ou consistência testicular
Presença de varicocele (veias dilatadas no escroto)
Sinais de hipogonadismo (perda de libido, fadiga, ginecomastia)
Histórico de criptorquidia, torção testicular ou infecções

Diagnóstico

O ponto de partida é um exame simples e indolor: o espermograma. Uma amostra de sêmen é analisada em quatro quesitos — quantos espermatozoides existem (concentração), como eles se movimentam (motilidade), qual o formato deles (morfologia) e o volume do ejaculado. Esse único exame já direciona boa parte da investigação. Na consulta, o urologista também examina os testículos — tamanho, consistência e a presença de varicocele, que muitas vezes é perceptível ao toque. Conforme os achados, entram os exames complementares: - Dosagens hormonais (FSH, LH e testosterona total) — os hormônios que comandam a "fábrica" de espermatozoides - Ultrassonografia da bolsa escrotal com doppler — imagem dos testículos e do fluxo de sangue nas veias da região - Avaliação genética, quando indicada - Pesquisa de anticorpos antiespermatozoides — situação em que o próprio sistema de defesa ataca os espermatozoides

Tratamento

Nem todo caso precisa de cirurgia — e nem todo caso precisa de fertilização in vitro. O tratamento depende inteiramente da causa encontrada. Medidas sem cirurgia: - Estilo de vida: afastar álcool, cigarro, anabolizantes e o calor excessivo na região escrotal pode melhorar os parâmetros do sêmen. - Terapia hormonal: indicada quando a causa é hipogonadismo ou outra alteração endócrina específica. Tratamentos cirúrgicos: - Correção da varicocele (varicocelectomia): cirurgia que trata as veias dilatadas do testículo. Pode melhorar a qualidade do sêmen e as taxas de gravidez, tanto espontânea quanto por fertilização assistida. - Reversão de vasectomia: microcirurgia que reconecta os ductos deferentes (os canais que a vasectomia interrompeu), restabelecendo a passagem dos espermatozoides. Reprodução assistida — quando a gravidez espontânea não acontece: - FIV (Fertilização In Vitro): óvulo e espermatozoides são reunidos em laboratório. - ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide): um único espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo. É especialmente útil quando há pouquíssimos espermatozoides (oligospermia grave) ou nenhum espermatozoide no ejaculado (azoospermia). Nesses casos, os espermatozoides podem ser buscados diretamente no testículo ou no epidídimo: quando a causa é uma obstrução (azoospermia obstrutiva), usam-se técnicas de aspiração (TESA/MESA); quando o problema é a própria produção (azoospermia não obstrutiva, a situação mais desafiadora), a técnica de escolha é a micro-TESE — uma microcirurgia que procura, com o auxílio do microscópio, as áreas do testículo ainda capazes de produzir espermatozoides. O que esperar: a investigação e o tratamento são um trabalho conjunto, sempre com o casal avaliado de forma integrada — porque o objetivo final não é um exame normal, e sim a gravidez.

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FAQ

Perguntas frequentes

Após 12 meses de tentativas regulares sem contracepção. Em mulheres acima de 35 anos, ou quando há fatores conhecidos (ciclos irregulares, criptorquidia prévia, varicocele importante), a investigação pode ser iniciada antes, em 6 meses.
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