Aproximadamente 40% dos casos de infertilidade têm origem exclusivamente masculina, e até 25% envolvem fatores combinados. A investigação do homem é parte essencial da avaliação do casal.
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Sintomas
Diagnóstico
O ponto de partida é um exame simples e indolor: o espermograma. Uma amostra de sêmen é analisada em quatro quesitos — quantos espermatozoides existem (concentração), como eles se movimentam (motilidade), qual o formato deles (morfologia) e o volume do ejaculado. Esse único exame já direciona boa parte da investigação. Na consulta, o urologista também examina os testículos — tamanho, consistência e a presença de varicocele, que muitas vezes é perceptível ao toque. Conforme os achados, entram os exames complementares: - Dosagens hormonais (FSH, LH e testosterona total) — os hormônios que comandam a "fábrica" de espermatozoides - Ultrassonografia da bolsa escrotal com doppler — imagem dos testículos e do fluxo de sangue nas veias da região - Avaliação genética, quando indicada - Pesquisa de anticorpos antiespermatozoides — situação em que o próprio sistema de defesa ataca os espermatozoides
Tratamento
Nem todo caso precisa de cirurgia — e nem todo caso precisa de fertilização in vitro. O tratamento depende inteiramente da causa encontrada. Medidas sem cirurgia: - Estilo de vida: afastar álcool, cigarro, anabolizantes e o calor excessivo na região escrotal pode melhorar os parâmetros do sêmen. - Terapia hormonal: indicada quando a causa é hipogonadismo ou outra alteração endócrina específica. Tratamentos cirúrgicos: - Correção da varicocele (varicocelectomia): cirurgia que trata as veias dilatadas do testículo. Pode melhorar a qualidade do sêmen e as taxas de gravidez, tanto espontânea quanto por fertilização assistida. - Reversão de vasectomia: microcirurgia que reconecta os ductos deferentes (os canais que a vasectomia interrompeu), restabelecendo a passagem dos espermatozoides. Reprodução assistida — quando a gravidez espontânea não acontece: - FIV (Fertilização In Vitro): óvulo e espermatozoides são reunidos em laboratório. - ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide): um único espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo. É especialmente útil quando há pouquíssimos espermatozoides (oligospermia grave) ou nenhum espermatozoide no ejaculado (azoospermia). Nesses casos, os espermatozoides podem ser buscados diretamente no testículo ou no epidídimo: quando a causa é uma obstrução (azoospermia obstrutiva), usam-se técnicas de aspiração (TESA/MESA); quando o problema é a própria produção (azoospermia não obstrutiva, a situação mais desafiadora), a técnica de escolha é a micro-TESE — uma microcirurgia que procura, com o auxílio do microscópio, as áreas do testículo ainda capazes de produzir espermatozoides. O que esperar: a investigação e o tratamento são um trabalho conjunto, sempre com o casal avaliado de forma integrada — porque o objetivo final não é um exame normal, e sim a gravidez.
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