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Saúde Urológica

Neoplasias Uroteliais do Trato Urinário Superior

Tumores uroteliais da pelve renal e ureteres

Tumores que afetam o urotélio que reveste a pelve renal e os ureteres. Menos comuns que os tumores da bexiga, mas com características histológicas semelhantes.

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Ilustração anatômica — Neoplasias Uroteliais do Trato Urinário Superior
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

As neoplasias uroteliais do trato urinário superior são tumores que surgem no revestimento interno das vias urinárias de cima — a pelve renal (o "funil" dentro do rim que recolhe a urina) e os ureteres (os canais que levam a urina até a bexiga). Esse revestimento é o urotélio, a mesma "forração" que existe na bexiga. Por isso, embora sejam bem menos comuns que os tumores de bexiga, esses tumores são "parentes próximos" e se comportam de maneira parecida no microscópio. Fatores de risco: - Tabagismo (o principal deles) - Exposição no trabalho a certas substâncias químicas (como as aminas aromáticas, presentes em algumas indústrias) - Já ter tido câncer urotelial na bexiga - Uso prolongado de analgésicos ou de plantas do tipo aristolóquia - Síndrome de Lynch, uma predisposição genética ao câncer que corre na família Como os tumores são classificados: - Pelo grau: baixo grau (células mais parecidas com o normal, menos agressivas) ou alto grau (mais agressivas). - Pela profundidade: não invasivos (restritos à superfície) ou invasivos, quando avançam para as camadas mais profundas da parede. Por que tratar importa e por que o seguimento é rigoroso? O urotélio é uma superfície contínua, que reveste todo o trajeto urinário. Isso faz com que esses tumores tenham forte tendência a voltar e a aparecer em outros pontos do trato — inclusive na bexiga. Por isso, além de tratar o tumor, é fundamental o acompanhamento de longo prazo, com cistoscopias e exames de imagem periódicos, para flagrar cedo qualquer recorrência.

Sintomas

Hematúria (sangue na urina) — principal sinal
Dor lombar ou abdominal
Sintomas urinários irritativos
Massa palpável em tumores avançados
Infecções urinárias recorrentes

Diagnóstico

A principal pista costuma ser sangue na urina (hematúria), o que dá início à investigação. O exame de escolha é a urotomografia, uma tomografia com contraste voltada para as vias urinárias, que mostra em detalhe a anatomia da pelve renal e dos ureteres e ajuda a localizar o tumor. A citologia urinária analisa uma amostra de urina em busca de células tumorais soltas. Para confirmar o diagnóstico com certeza, faz-se a ureterorrenoscopia: um aparelho fino e flexível sobe pelas vias urinárias, permitindo ver o tumor por dentro e retirar um pequeno fragmento (biópsia) para análise. Como esses tumores andam muito associados aos de bexiga, também se avalia a bexiga por completo com a cistoscopia (uma câmera introduzida pela uretra).

Tratamento

A escolha do tratamento depende do grau e da agressividade do tumor, da sua localização e das condições do paciente. Cirurgia: - Nefroureterectomia radical: é o padrão-ouro para os tumores de alto risco. Consiste em retirar o rim e todo o ureter afetados, junto com uma pequena porção da bexiga ao redor da desembocadura do ureter. Isso é feito porque o urotélio é contínuo, e remover todo o trajeto reduz muito a chance de o tumor voltar. - Cirurgias que preservam o rim: nos tumores de baixo risco, essa é hoje a conduta preferencial (e não apenas uma alternativa). Também é a escolha para pacientes com um único rim ou com outras doenças que tornam arriscado perder o rim. Terapia endoscópica: em casos selecionados de tumores pequenos, é possível ressecar ou destruir (ablação) a lesão por dentro, com um aparelho que sobe pelas vias urinárias, sem retirar o órgão. Existe ainda um gel de mitomicina (medicação quimioterápica em forma de gel, aplicada nas vias urinárias) aprovado para tratar tumores de baixo grau do trato superior sem cirurgia. Quimioterapia: pode ser usada antes ou depois da cirurgia. Após a nefroureterectomia, há boa evidência de que a quimioterapia feita depois (adjuvante) reduz o risco de recorrência nos tumores que invadem a musculatura ou já atingiram gânglios — por isso, nesses casos, ela é hoje recomendação padrão. Imunoterapia: no contexto atual, refere-se principalmente aos inibidores de checkpoint (como pembrolizumabe, nivolumabe e avelumabe), usados na doença localmente avançada ou metastática e, em casos selecionados, como tratamento complementar após a cirurgia. (O BCG aplicado dentro da bexiga trata tumores da própria bexiga, e não o trato urinário superior.)

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FAQ

Perguntas frequentes

Na nefroureterectomia radical, retiram-se rim, ureter e um colarinho da bexiga porque o urotélio é contínuo. Isso reduz drasticamente o risco de recorrência ao longo do trato urinário, sendo o padrão-ouro para tumores de alto risco.
Sim. Em pacientes com tumor de baixo grau, doença unilateral em rim único ou comorbidades importantes, podem ser considerados tratamentos endoscópicos (ureterorrenoscopia com laser) ou cirurgias parciais, sempre com seguimento rigoroso.
Sim. Pacientes com tumor urotelial alto têm risco elevado de desenvolver tumor vesical posteriormente. Por isso, a cistoscopia de seguimento e a avaliação periódica do trato urinário são fundamentais por anos após o tratamento.
Sim, o tabagismo é o principal fator de risco modificável, tanto para o desenvolvimento quanto para a recidiva do tumor. A cessação do tabagismo é parte essencial do tratamento e da prevenção da recorrência.
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