Implante de dispositivo que modula os sinais nervosos da bexiga, com até 80% de sucesso em casos refratários de bexiga hiperativa e retenção urinária.

Sobre o procedimento
A neuromodulação sacral é, em essência, um "marcapasso da bexiga". Assim como o marcapasso cardíaco regula os batimentos do coração, este dispositivo regula a conversa elétrica entre a bexiga e o cérebro — uma conversa que, em algumas pessoas, sai do compasso. Quando essa comunicação nervosa falha, a bexiga pode se comportar de dois jeitos opostos: avisar o tempo todo que está cheia sem estar (a bexiga hiperativa, com urgência e escapes de urina) ou simplesmente não esvaziar, mesmo sem nada obstruindo o caminho (a retenção urinária não obstrutiva). A neuromodulação corrige esses sinais estimulando eletricamente, de forma suave e controlada, o nervo sacral S3 — um nervo na base da coluna que participa do comando da bexiga. É uma terapia para casos refratários: quando medicamentos e outras medidas já foram tentados sem resultado suficiente. E tem uma característica que a diferencia de quase tudo em medicina: antes do implante definitivo, você faz um test-drive. Um eletrodo provisório com gerador externo permite viver o dia a dia com o estímulo ligado e comprovar, na prática, se funciona para você — só então se decide pelo implante definitivo.
Quando é indicado
Como é realizado
O tratamento acontece em duas fases, e essa é sua grande inteligência: Fase 1 — o teste. Sob anestesia local, um eletrodo fino é implantado na região sacral (a base da coluna, próximo ao chamado forame S3, por onde passa o nervo). Esse eletrodo é conectado a um gerador externo, que você carrega consigo. Durante 1 a 2 semanas, você vive sua rotina normal com o estímulo funcionando e anota como os sintomas se comportam: quantas idas ao banheiro, quantos escapes, como está o esvaziamento. Fase 2 — o implante definitivo. Se o teste mostrar melhora de mais de 50% dos sintomas, vale a pena: o gerador definitivo — parecido com um marcapasso pequeno — é implantado sob a pele, geralmente na nádega, onde fica discreto e não incomoda. A partir daí, a equipe programa e ajusta o dispositivo por fora, sem novas cirurgias, calibrando o estímulo até o melhor resultado. Se o teste não mostrar boa resposta, o eletrodo provisório é retirado e nada definitivo foi implantado.
Vantagens
Recuperação
A recuperação após o implante definitivo é rápida — a cirurgia é pequena e o dispositivo fica alojado sob a pele. O que muda na rotina depois é o acompanhamento: consultas regulares para ajustar a programação do dispositivo conforme sua resposta. O estímulo não é "instalar e esquecer" — ele é calibrado ao longo do tempo, por uma equipe especializada em disfunções miccionais, até encontrar o ponto ideal para os seus sintomas. Esse acompanhamento contínuo faz parte do tratamento.
Riscos e cuidados
Os riscos são, em geral, relacionados ao dispositivo, e não a danos ao corpo: - Dor local onde o gerador foi implantado: um incômodo na região da nádega, geralmente manejável. - Deslocamento do eletrodo: o fio pode sair da posição ideal e o estímulo perder eficácia, exigindo reposicionamento. - Infecção: rara, como em qualquer implante. - Manutenção a longo prazo: como todo aparelho eletrônico, o sistema pode precisar de revisão com o passar dos anos, e nos modelos não recarregáveis a bateria do gerador é trocada após alguns anos, em procedimento simples. Vale lembrar um ponto tranquilizador: a técnica é reversível e ajustável. Se necessário, o dispositivo pode ser reprogramado, desligado ou removido.
Vídeos sobre o procedimento
Tratamos com este procedimento
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