Remoção completa da próstata e vesículas seminais pelo sistema Da Vinci, com preservação dos feixes neurovasculares e excelentes resultados oncológicos e funcionais.

Sobre o procedimento
A prostatectomia radical é a cirurgia que retira a próstata por inteiro, junto com as vesículas seminais (pequenas glândulas vizinhas), para tratar o câncer de próstata localizado — aquele que ainda está confinado à glândula. “Radical”, aqui, não quer dizer agressiva: quer dizer completa, porque no tratamento do câncer não adianta retirar só uma parte. O desafio dessa cirurgia é a vizinhança. A próstata fica no fundo da pelve, logo abaixo da bexiga, e a uretra (o canal por onde a urina sai) passa por dentro dela. Coladas à sua superfície correm estruturas delicadas: os feixes neurovasculares — conjuntos de nervos e vasos responsáveis pela ereção — e as estruturas que garantem a continência (a capacidade de segurar a urina). Retirar toda a próstata sem machucar o que está em volta é como remover uma peça do meio de um mecanismo delicado sem danificar as engrenagens vizinhas. É aí que a robótica faz diferença. Com o sistema Da Vinci, o cirurgião opera com visão 3D ampliada e mínima invasão, o que permite retirar a próstata em bloco — com a radicalidade que o câncer exige — e, quando o estadiamento permite, preservar de forma refinada os feixes neurovasculares e as estruturas da continência. O plano é individualizado: o grau de preservação depende das características do tumor e de cada paciente.
Quando é indicado
Como é realizado
A cirurgia é feita sob anestesia geral, por via laparoscópica assistida por robô: pequenos cortes no abdome dão passagem aos portais, e por eles entram os braços robóticos e a câmera. Com a visão 3D ampliada, o cirurgião separa a próstata das estruturas vizinhas com dissecção precisa, milímetro a milímetro. Quando é oncologicamente seguro — ou seja, quando dá para fazer isso sem comprometer a retirada completa do tumor —, os feixes neurovasculares responsáveis pela ereção são preservados, descolados da próstata com delicadeza. Retirada a próstata com as vesículas seminais, fica um vão entre a bexiga e a uretra. Esse vão é fechado reconectando as duas estruturas com microsuturas — a chamada anastomose vesicouretral. É como emendar um cano de volta depois de remover o trecho do meio, com uma costura fina e cuidadosa. Em casos selecionados, o cirurgião também remove os linfonodos da região da pelve (linfadenectomia pélvica), que são enviados para estudo no laboratório. Ao final, uma sonda vesical (cateter) fica na uretra, protegendo a emenda enquanto ela cicatriza.
Vantagens
Recuperação
A alta hospitalar geralmente acontece em 24 horas. O paciente vai para casa com a sonda vesical, que permanece por cerca de 7 dias e é retirada em consulta ambulatorial. É comum ter alguma perda de urina nas primeiras semanas após a retirada da sonda — isso é esperado e, na grande maioria dos casos, melhora nos primeiros meses. A recuperação não é passiva: é apoiada por uma equipe multidisciplinar. A fisioterapia do assoalho pélvico (exercícios que fortalecem a musculatura responsável por segurar a urina) acelera a volta da continência. A função erétil também tem reabilitação própria, com medicações de apoio. O retorno às atividades é gradual, em 2 a 3 semanas, conforme o tipo de trabalho. Atividade física vigorosa é liberada entre 4 e 6 semanas. O seguimento oncológico é feito com dosagens seriadas de PSA no sangue, que acompanham o resultado do tratamento ao longo do tempo.
Riscos e cuidados
Sangramento, infecção e riscos ligados à anestesia existem, como em qualquer cirurgia, mas são pouco frequentes nessa técnica. Os riscos que mais preocupam os pacientes são os funcionais — e merecem explicação franca. Incontinência urinária: alguma perda de urina é comum logo após a cirurgia e, na maioria dos casos, melhora nos primeiros meses, especialmente com a fisioterapia — mas a recuperação completa pode levar até 12 meses. Em cerca de 5 a 15% dos homens, alguma perda aos esforços persiste e pode precisar de tratamento adicional, como o sling masculino ou o esfíncter urinário artificial. Disfunção erétil: a preservação da ereção depende de três fatores — o estadiamento do tumor, a possibilidade de preservar os feixes neurovasculares durante a cirurgia e a qualidade da função erétil que o paciente já tinha antes. Mesmo no melhor cenário — preservação dos dois feixes em quem tinha ereções boas —, a recuperação de ereções suficientes para a penetração acontece em cerca de 40 a 70% dos casos, ao longo de 12 a 24 meses e geralmente com apoio de medicações; sem preservação dos feixes, a chance é bem menor. Por isso, a expectativa realista é construída caso a caso, em consulta. Há também um ponto oncológico que precisa ficar claro desde o início: a cirurgia pode não ser o único tratamento. Se o exame da peça mostrar margens comprometidas (células tumorais na borda do que foi retirado) — algo que acontece em 10 a 30% dos casos, conforme o estágio — ou se o PSA voltar a subir no seguimento, pode ser necessária radioterapia complementar e, em alguns casos, bloqueio hormonal. Outros riscos menos frequentes: lesão do reto (rara), linfocele — um acúmulo de linfa na pelve após a retirada dos linfonodos, que às vezes precisa ser drenado — e trombose venosa com risco de embolia, motivo pelo qual a prevenção com meias e anticoagulantes faz parte do pós-operatório. Em raros casos, pode ocorrer estenose da anastomose vesicouretral — um estreitamento por cicatriz no ponto em que a bexiga foi reconectada à uretra — que pode exigir uma intervenção para correção.
Vídeos sobre o procedimento
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