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Procedimento

RTU de Bexiga (Ressecção Transuretral de Tumor Vesical)

Diagnóstico, estadiamento e tratamento inicial do câncer de bexiga

Procedimento endoscópico que remove tumores superficiais da bexiga e fornece diagnóstico anatomopatológico — sem cortes externos.

Ilustração — RTU de Bexiga (Ressecção Transuretral de Tumor Vesical)
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre o procedimento

A RTU de bexiga (ressecção transuretral de tumor vesical) é o procedimento padrão quando se encontra um tumor na bexiga. Ela cumpre três papéis de uma vez: é diagnóstico, estadiamento e tratamento inicial dos tumores superficiais — aqueles que ainda não invadiram a camada muscular da parede da bexiga. Funciona assim: em vez de abrir a barriga, o cirurgião chega ao tumor por dentro, pelo canal da urina, e o retira por via endoscópica. O tecido removido vai para o microscópio (análise histológica), e é esse exame que responde às perguntas decisivas: que tipo de tumor é, quão fundo ele foi na parede da bexiga — o estadiamento, aquelas classificações Ta, T1, T2 que aparecem nos laudos — e qual deve ser o próximo passo do tratamento. Na prática, a RTU de bexiga costuma ser o primeiro capítulo do cuidado do câncer de bexiga. Conforme o risco identificado, ela pode ser complementada por uma aplicação de quimioterápico diretamente dentro da bexiga logo após a cirurgia (instilação intravesical precoce) ou por um programa de aplicações de BCG. E, em situações específicas — tumores T1 de alto grau ou quando a primeira ressecção não trouxe amostra suficiente da camada muscular —, uma segunda RTU é programada em 2 a 6 semanas: é uma etapa prevista pelas diretrizes para garantir que nada ficou para trás e que o estadiamento está correto.

Quando é indicado

Tumores vesicais papilares detectados em cistoscopia ou exames de imagem
Hematúria com suspeita de neoplasia
Controle de recidivas em câncer de bexiga não músculo-invasivo
Estadiamento e avaliação histológica

Como é realizado

Sob anestesia geral ou raquidiana (a anestesia nas costas, que adormece da cintura para baixo), um ressectoscópio — um tubo fino com câmera e instrumento de trabalho — é introduzido pela uretra até a bexiga. Não há cortes externos. Com o tumor visível na tela, o cirurgião o resseca (recorta) com uma alça elétrica (monopolar ou bipolar). Em seguida, a base onde o tumor estava implantado é coagulada — isso estanca o sangramento e completa a ressecção. Em casos selecionados, faz-se a chamada "ressecção em bloco": o tumor sai inteiro, numa peça única, o que melhora a avaliação do material no microscópio. Todo o tecido retirado é enviado para análise anatomopatológica. Dois complementos podem acontecer, conforme o caso: uma aplicação precoce de quimioterápico (Mitomicina C) dentro da bexiga — indicada seletivamente, em geral para tumores de risco baixo a intermediário e quando não há suspeita de perfuração — e/ou a colocação de um cateter vesical (sonda) para drenar a urina nos primeiros dias.

Vantagens

Sem cortes externos
Permite diagnóstico e tratamento no mesmo procedimento
Fornece estadiamento histológico para guiar tratamento subsequente
Internação curta
Pode ser repetida em casos de recidiva

Recuperação

Nas primeiras horas após a cirurgia, a bexiga é lavada continuamente com soro através da sonda (a chamada irrigação contínua). A sonda vesical é retirada entre 1 e 3 dias depois. Nesse período, é normal notar um pouco de sangue na urina e sentir sintomas urinários passageiros, como ardência ou vontade frequente de urinar. O retorno às atividades habituais acontece em poucos dias.

Riscos e cuidados

Os riscos do procedimento em si são, na maioria, leves e transitórios: • Sangramento: em geral autolimitado — para sozinho. • Infecção urinária: possível, como em qualquer procedimento no trato urinário. • Perfuração da bexiga: uma abertura na parede do órgão durante a ressecção. Na grande maioria das vezes é pequena, voltada para fora da cavidade abdominal, e se resolve apenas mantendo a sonda por mais tempo; a forma que exige cirurgia para correção é rara. • Absorção do líquido de irrigação (síndrome da RTU): reação rara do organismo ao líquido usado durante a cirurgia — especialmente incomum com os equipamentos modernos, que trabalham com soro fisiológico. • Sintomas urinários irritativos transitórios: ardência e urgência para urinar por alguns dias. O ponto mais importante vem depois da cirurgia: como existe risco de recidiva (retorno do tumor), a vigilância rigorosa com cistoscopias periódicas — exames endoscópicos que examinam a bexiga por dentro — é essencial para flagrar precocemente qualquer sinal de retorno.

Tratamos com este procedimento

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FAQ

Perguntas frequentes

Em tumores de alto risco, é comum programar uma "RTU de revisão" ou "second-look" em 4 a 6 semanas para garantir ressecção completa e estadiamento adequado. Recidivas também podem exigir novas RTUs ao longo do seguimento.
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