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Saúde Urológica

Câncer de Pênis

Neoplasia rara, mas grave, ligada a HPV e má higiene íntima

Câncer raro porém grave, mais comum em regiões com acesso limitado à higiene, ausência de circuncisão e alta incidência de HPV. Prognóstico depende fortemente do estágio ao diagnóstico.

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Ilustração anatômica — Câncer de Pênis
Ilustração original produzida para fins educativos.

Sobre a condição

O câncer de pênis é um tumor maligno que nasce na pele do pênis — quase sempre na glande (a "cabeça") ou no prepúcio (a pele que a recobre). Ele se comporta como outros cânceres de pele e mucosa: começa como uma ferida ou mancha pequena que não cicatriza e, se nada for feito, cresce e pode se espalhar. É uma doença rara, porém grave, mais comum em homens acima dos 50 anos. Aparece com mais frequência em regiões onde a higiene íntima é difícil, a circuncisão não é praticada e a infecção pelo HPV — o papilomavírus humano, transmitido pelo contato sexual — circula muito. Fatores de risco (o que aumenta a chance de desenvolver a doença): - Má higiene genital - Infecção pelo HPV, sobretudo os tipos com potencial de causar câncer (especialmente o 16 e o 18) - Fimose não tratada — o prepúcio apertado dificulta a limpeza e mantém a região cronicamente inflamada - Tabagismo - Múltiplos parceiros sexuais - Histórico de verrugas genitais Como prevenir e flagrar cedo: higiene adequada da genitália, tratamento precoce da fimose, vacinação contra o HPV, autoexame (olhar e tocar o próprio pênis com regularidade, procurando feridas, manchas ou caroços) e consultas regulares ao urologista. Por que tratar — e tratar cedo — importa? O prognóstico depende fortemente do estágio em que o tumor é descoberto. Identificado no início, as chances de cura são elevadas e a cirurgia pode ser pequena, preservando o órgão. Descoberto tarde, o tratamento precisa ser mais extenso. Fica a regra prática: ferida, mancha ou caroço no pênis que não desaparece em poucas semanas merece avaliação médica — e vergonha não pode adiar essa consulta.

Sintomas

Lesão ulcerada, nodular ou verrucosa na glande ou prepúcio
Secreção fétida e sangramento local
Dor ou desconforto peniano
Aumento dos linfonodos inguinais

Diagnóstico

A investigação começa na consulta, com o exame físico. O urologista examina a lesão com atenção — tamanho, aspecto, localização — e apalpa a virilha dos dois lados, porque é para os gânglios (linfonodos) da região inguinal que esse tumor costuma se espalhar primeiro. É um exame visual e de toque, sem dor além do desconforto da própria lesão. A confirmação vem da biópsia: retira-se um pequeno fragmento da lesão para análise no microscópio (a chamada confirmação histológica). É esse exame que diz com certeza se é câncer. Confirmado o diagnóstico, entram os exames de imagem — ultrassonografia, tomografia ou PET-CT — para mapear os linfonodos da virilha e da pelve. Esse conjunto de informações forma o estadiamento: a medida de quão profundamente o tumor invadiu o pênis e de haver ou não sinais de disseminação para os gânglios ou para outras partes do corpo. É o estadiamento que orienta todo o plano de tratamento.

Tratamento

O tratamento do câncer de pênis é predominantemente cirúrgico, e vale uma regra simples: quanto mais cedo o diagnóstico, menor e mais conservador o tratamento. Lesões muito superficiais e restritas à pele da glande ou do prepúcio (carcinoma in situ) podem, em casos selecionados, ser tratadas sem cirurgia excisional — com cremes aplicados na lesão (como 5-fluorouracil ou imiquimode) ou com ablação a laser, preservando ao máximo o órgão. São opções que merecem ser consideradas antes de partir para retirar tecido. Lesões iniciais — cirurgias que preservam o pênis: - Excisão local com margem de segurança: retira-se apenas a lesão e uma pequena faixa de tecido sadio ao redor, para garantir que nenhuma célula doente fique para trás. - Postectomia (circuncisão): quando a lesão é superficial e restrita ao prepúcio, remover essa pele resolve o problema. Nesses casos, o pênis é preservado, assim como a função urinária e a vida sexual. Estágios mais avançados: - Penectomia parcial ou total: retirada de parte ou de todo o pênis, dependendo da extensão do tumor. É uma cirurgia de grande impacto, reservada para quando não há alternativa segura — mais um motivo para não adiar a consulta diante de uma lesão suspeita. - Avaliação dos gânglios da virilha: quando os gânglios não estão aumentados ao exame, mas o tumor tem risco intermediário ou alto de se espalhar, o padrão atual é a biópsia do linfonodo sentinela — identifica-se e retira-se o primeiro gânglio que "recebe a drenagem" da lesão para analisá-lo. Só se ele estiver comprometido (ou quando os gânglios já estão claramente aumentados) é que se faz a linfadenectomia inguinal completa (retirada de todos os gânglios da virilha), evitando a morbidade dessa cirurgia mais ampla em quem não precisa dela. - Quimioterapia e/ou radioterapia: quando há doença volumosa nos gânglios, a quimioterapia costuma ser feita antes da cirurgia (neoadjuvante), para reduzir o tumor; em outras situações, entra como complemento depois (adjuvante). Depois do tratamento, o acompanhamento com o urologista continua, com consultas e exames regulares para vigiar qualquer sinal de retorno da doença.

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FAQ

Perguntas frequentes

Sim, em parte. A circuncisão na infância reduz significativamente o risco de câncer de pênis, pois facilita a higiene e diminui o risco de infecção persistente por HPV e inflamações crônicas, fatores fortemente associados à doença.
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