Condição crônica de dor vesical com urgência e frequência aumentada, sem evidência de infecção. De manejo complexo, mas com boa resposta a tratamentos individualizados.
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Sobre a condição
Sintomas
Diagnóstico
Não existe um exame único que "crave" o diagnóstico. Ele é feito, em boa parte, por exclusão: o médico investiga e afasta outras causas que provocam sintomas parecidos, como infecção urinária, endometriose, bexiga hiperativa e câncer. É por isso que a avaliação começa por uma história clínica detalhada da dor e dos hábitos urinários. A cistoscopia com hidrodistensão sob anestesia — um exame em que uma câmera fina é introduzida na bexiga e ela é preenchida com líquido para ser distendida — não é obrigatória para o diagnóstico: hoje é considerada opcional, indicada em casos selecionados, sobretudo para identificar e tratar as chamadas úlceras de Hunner (feridas específicas na parede da bexiga) ou como forma de aliviar os sintomas. Ela também pode revelar pequenos pontos de sangramento (glomerulações). Questionários próprios (como PUF e ICSI/ICPI) ajudam a medir a intensidade dos sintomas e a acompanhar a resposta ao tratamento.
Tratamento
O tratamento é individualizado e costuma combinar várias frentes, começando sempre pelas medidas menos invasivas. Não há uma cura definitiva, mas há como controlar bem os sintomas. Mudanças de hábitos e alimentação: - Evitar alimentos e bebidas que irritam a bexiga (cafeína, cítricos, álcool, adoçantes). - Treinamento vesical, para espaçar aos poucos as idas ao banheiro. - Técnicas de relaxamento e controle do estresse, que costuma piorar as crises. Medicamentos por via oral: - Pentosana polissulfato de sódio, que ajuda a proteger a camada interna da bexiga e a aliviar os sintomas. Uma ressalva importante: o uso prolongado desse medicamento foi associado a um tipo de alteração na retina (maculopatia pigmentar). Por isso, recomenda-se uma avaliação oftalmológica no início do tratamento e um acompanhamento periódico da visão — e qualquer alteração visual deve ser comunicada ao médico. - Antidepressivos em dose baixa (como a amitriptilina), usados aqui não pela depressão, mas pelo efeito de reduzir a dor e acalmar os nervos da bexiga. - Anti-histamínicos. Tratamento específico das úlceras de Hunner: - Quando a cistoscopia mostra as úlceras de Hunner (o subtipo com lesões na parede da bexiga), o tratamento com maior evidência é atuar diretamente sobre elas por via endoscópica — com fulguração (cauterização) ou injeção de corticoide (triancinolona) na lesão. Nesses casos, essa abordagem costuma vir antes do botox e da neuromodulação. Terapias aplicadas dentro da bexiga (intravesicais): - Instilações — a bexiga recebe, por uma sonda, uma solução com medicamentos anti-inflamatórios ou analgésicos (como DMSO, heparina e lidocaína), que agem localmente para aliviar a dor. Costumam ser feitas de forma regular. Terapias avançadas, para casos que não respondem ao anterior: - Toxina botulínica (botox) aplicada na bexiga. - Neuromodulação sacral, que regula os nervos ligados à bexiga. - Cirurgia, reservada para pouquíssimos casos graves e resistentes a tudo o mais.
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